A sua empresa pode estar a pagar mais IRC do que devia.
Saber calcular corretamente este imposto é fundamental para evitar coimas e reduzir custos desnecessários.
O IRC incide sobre os lucros das empresas em Portugal, incluindo rendimentos obtidos dentro e fora do país.
Quando se paga o IRC?
O IRC não é pago apenas uma vez por ano. Ao longo do exercício, as empresas vão efetuando adiantamentos do imposto, sendo o valor final apurado posteriormente.
Na prática, o IRC é pago em três momentos ao longo do ano:
- Pagamentos por Conta: realizados em julho, setembro e 15 de dezembro, com base no imposto apurado no ano anterior. Estes pagamentos funcionam como adiantamentos do IRC a liquidar.
- Pagamento Especial por Conta: aplicável em determinados casos, deve ser efetuado até 31 de março e corresponde a um valor mínimo de imposto.
- Pagamento final (acerto): realizado após a entrega da declaração Modelo 22, geralmente até 31 de maio. Neste momento, é apurado o valor total de IRC devido, sendo ajustada a diferença entre o imposto já pago e o valor efetivamente apurado.
O que é a Modelo 22 e qual a sua importância?
A Modelo 22 é a declaração anual através da qual as empresas comunicam à Autoridade Tributária os seus resultados e calculam o valor final de IRC a pagar.
É nesta fase que:
- se apura o lucro tributável;
- se aplicam deduções e benefícios fiscais;
- se determina o valor real de imposto devido.
Após a entrega da Modelo 22, é feito o acerto final do IRC, tendo em conta os pagamentos já efetuados ao longo do ano.
Agora que já sabe quando se paga o IRC e qual o papel da Modelo 22, veja como calcular este imposto de forma simples e clara.
Como calcular o IRC em 5 passos:
- Calcule o lucro tributável: O primeiro passo é apurar o lucro tributável da empresa, ou seja, o resultado obtido através da sua atividade.
Este valor corresponde à diferença entre os rendimentos obtidos e os gastos dedutíveis. - Aplique correções fiscais e apure a matéria coletável: Nem todos os custos são fiscalmente aceites.
Nesta fase, deve ajustar o lucro tributável, considerando os benefícios fiscais e os prejuízos fiscais dedutíveis.
O resultado é a matéria coletável, ou seja, o valor sobre o qual será aplicado o imposto. - Calcule o IRC:
Para calcular o IRC, deve aplicar a taxa em vigor sobre a matéria coletável.
– 17% para os primeiros 15.000€
– 21% para o valor restante.
Estas são as taxas gerais aplicáveis à maioria das empresas. - Calcule a derrama municipal (se aplicável): A derrama municipal é um imposto adicional definido por cada município.
– Incide sobre o lucro tributável
– A taxa pode ir até 1,5%, podendo ser inferior para empresas com menor volume de negócios
Ou seja: Lucro tributável × taxa de derrama do município - Apure o valor final a pagar: Por fim, deve somar todos os valores:
– IRC calculado;
– Derrama municipal (se aplicável);
E subtrair:
– Pagamentos por conta já realizados.

Exemplo prático de cálculo IRC:
Imagine uma empresa com rendimentos anuais de 100.000€ e gastos dedutíveis de 60.000€.
- Apuramento do lucro tributável
Neste caso, o lucro tributável corresponde a 40.000€, resultado da diferença entre rendimentos e despesas. - Matéria coletável
Não existindo benefícios fiscais nem prejuízos a deduzir, a matéria coletável será igualmente de 40.000€. - Cálculo do IRC
Para calcular o IRC, aplica-se a taxa reduzida de 17% aos primeiros 15.000€, o que resulta em 2.550€.
Ao valor restante de 25.000€ aplica-se a taxa de 21%, correspondendo a 5.250€.
Assim, o total de IRC apurado é de 7.800€. - Derrama municipal
A este valor acresce ainda a derrama municipal.
Considerando uma taxa de 1,5%, aplicada ao lucro tributável de 40.000€, obtém-se um valor de 600€. - Encargo total do IRC
Deste modo, o encargo total do IRC será de 8.400€.
Sendo a soma do IRC com a derrama. - Acerto final (após pagamentos por conta)
Se a empresa já tiver pago 6000€ ao longo do ano.
8400€ – 6000€ = 2.400€ a pagar
Neste exemplo, a empresa terá um encargo total de 8.400€ em IRC, sendo apenas necessário liquidar 2.400€ no acerto final.
Erros comuns no cálculo do IRC:
– Confundir faturação com lucro;
– Não considerar custos não dedutíveis;
– Ignorar benefícios fiscais;
– Esquecer pagamentos por conta.
Calcular o IRC corretamente permite cumprir as obrigações fiscais e identificar oportunidades de poupança na sua empresa.